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ARAÇAI
Estação Ferroviária de Araçai
Área: 220 km2
Temperatura Média Anual: 23o C
Distância da Capital: 108 Km
Rodovias que servem ao Município:
BR 040 e MG 231
População: urbana 1.688 hab. - rural 444 hab.
Atividades Econômicas: agricultura, pecuária e industrial
Breve História
Sua origem se deve a construção da Estrada de Ferro Central do Brasil em 1903. Ao derredor do prédio da estação ferroviária formou-se o povoado, ganhando a condição de distrito em 1911, emancipando-se de Paraopeba em 1943 quando tomou a denominação de Araçai, nome indígena que significa "fruto silvestre".
A viação férrea começou a existir em 1852, quando Irineu Evangelista de Souza, (1813 -1889), mais tarde Barão de Mauá, recebeu o privilégio do Governo Imperial para construção e exploração de uma ferrovia entre a Praia da Estrela, na Baía da Guanabara, e a raiz da Serra de Petrópolis. A primeira seção, de 14,5 km, foi inaugurada por D. Pedro II, no dia 30 de abril de 1854. A Estrada de Ferro D. Pedro II, através do trabalho dinâmico de seus operários e técnicos, transformou-se, mais tarde (1889) na Estrada de Ferro Central do Brasil, um dos principais eixos do km.
A partir de 1910, houve um grande desenvolvimento das ferrovias brasileiras, com a integração de vários Estados. Entre 1911 e 1916, foram construídos 5.180 quilômetros de linhas. Em Minas Gerais, instalou-se a Rede Mineira de Viação, ligando Belo Horizonte ao Triângulo Mineiro e Sul de Minas; Estrada de Ferro Bahia-Minas, que se originava da região cacaueira de Ilhéus, passando pelo Vale do Mucuri e Rio Doce, para chegar ao Quadrilátero Ferrífero. Mas foi a Central do Brasil, antiga Estrada de Ferro D. Pedro II, que haveria de ser o Caminho de Ferro, na afirmação do ferroviário e escritor cordisburguense Francisco Timóteo Pereira, contornando montanhas, transpondo leito de rios e ribeirões, derribando matas, rasgando morros e rochedos, aterrando alagados e depressões ao longo de terras mineiras.
O prestígio das ferrovias entre a população era reflexo do cuidado com que os ferroviários cuidavam do equipamento nas oficinas de reparos. Verdadeiras obras de arte, as antigas locomotivas e vagões necessitavam de manutenção constantemente. As equipes de trabalhadores atendiam os diversos setores como tornearia, carpintarias, forjarias, serralharias, frezarias, verdadeiros talentos que fabricavam peças em metal como ferro, aço, zinco e bronze, além de madeira. Assim, além do seu papel econômico, os trens de ferro em Minas constituíam arte em movimento, orgulho das populações que se fizeram ao longo das estações de trem, como Araçai. Não é difícil então entender porque os trens ficaram famosos até por suas siglas. Alguns fizeram história como 0 C-95, até Corinto; o C-97, até Montes Claros; o C-99, até Monte Azul; o CP-1 até Pirapora; o CH-1, até Diamantina.
As velhas estações ferroviárias constituem hoje a lembrança de um tempo que passou. Ficam as histórias e a saudação dos poetas, como Paulo Augusto de Lima, que diz em seu poema "Passagem" : "...na noite, ao longe apita o trem de Minas - vem carregado de nostalgias, carregado de paixão, puxado por velha locomotiva diesel dos tempos ditos modernos e faz nos entrar pelas narinas o cheiro das antigas estações de óleo, de ferro, carvão, cheiro antigo de passado, RFFSA, Leopoldina, Rede Mineira, Central do Brasil, apita ao longe, levando minério".
Outro marco importante na história de nossas ferrovias foi a criação da Rede Ferroviária Federal S/A em 1957, congregando e inicialmente, 18 estradas de ferro. A Rede, chegou a operar com 24.132 km de extensão, (80% do total das linhas ferroviárias do Brasil), dos quais 1.053 eletrificados serviram quatro das cinco regiões fisiográficas do Brasil, estendendo-se do Maranhão ao Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro a Mato Grosso. A R. F. F. S. A. interligou, também, com a Bolívia através de Corumbá, Mato Grosso, em direção a Santa Cruz de la Sierra, com a Argentina, através de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, e com o Uruguai através de Omaraí, Livramento e Jaguarão, no Rio Grande do Sul.
BIBLIOGRAFIA
GONÇALVES, Eduardo e AENFER, David.
A Ferrovia e Sua História - Estrada de Ferro Central do Brasil.
Rio de Janeiro: Amutrem, 1998.
GONÇALVES, Telma. Pequeno Histórico da Estrada de Ferro Oeste de Minas.
Rio de Janeiro: RFSA, 1996.
PEREIRA, Francisco Timóteo. Entre Linhas Ferroviárias.
Sete Lagoas: Edições Instantes, 1997.
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