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ITABIRITO


Capela do Senhor Bom Jesus do Matosinhos

 

Área: 553 Km2
Temperatura média anual: 17 C
Distância da Capital: 55 Km
Rodovias que servem ao Município: BR 040, BR 356 e MG 030
População: Urbana 28.678 hab
Rural 3.413 hab
Atividades econômicas: indústria

  PATRIMÔNIO

 Igreja Nossa Senhora do Rosário
Igreja de São Vicente

BREVE HISTÓRIA

Nos últimos anos do século XVII, o bandeirante Manoel Garcia descobriu ouro nas vertentes dos córregos Tripuí e Passa Dez, nos sopé do Pico do Itacolomi. Logo, a notícia do ouro se espalhou e surgiram outras expedições em busca de novas lavras. Assim surgiram as minas de Santa Bárbara e de Cata Branca dos Areches, originando-se, desta última, Itabirito, no sopé do grande pico de minério de ferro do mesmo nome. Ao redor da mina de Cata Branca dos Areches se desenvolveu um povoado onde foi construída uma capela em honra de São Sebastião. Em 1745 é criada a freguesia com o nome de Itabira do Campo que em 1752 é elevada a distrito.

O ouro torna-se escasso e, em 1884, engenheiros da Estrada de Ferro Dom Pedro II, juntamente com metalurgistas estrangeiros que pretendiam se fixar naquelas paragens forma a Usina Esperança, empresa pioneira da siderurgia brasileira cuja história se confunde com a vida e o desenvolvimento de Itabirito.

As condições para a existência de atividades industriais siderúrgicas na Capitania estavam ligadas ao aparecimento do ouro. A demanda por ferramentas (picaretas, enxadas, foices) utilizadas para escavação e abertura das minas é maximizada com o esgotamento do ouro de aluvião, o que obriga os mineiros a irem buscá-lo nas minas cavadas cada vez mais subterrâneas. Avolumavam-se as necessidades quanto ao instrumental de ferro e aço, dependentes exclusivamente das caras importações, principalmente com a descoberta do diamante e a expansão da cultura do algodão, do café e dos cereais em geral, principalmente no início do século XIX.

As razões para o não atendimento a instalação de uma indústria siderúrgica na Capitania de Minas são explicadas, segundo o Professor Antonio de Paiva Moura, de inúmeras maneiras. Uma delas foi a proibição de ourivesaria. Muito antes da mineração do ouro havia uma grande atividade nas casas de fundição, onde boa parte da matéria-prima se constituía no aproveitamento de moedas, principalmente a mexicana. Assim, a ourivesaria chegou a um alto nível de desenvolvimento na Colônia após a descoberta do ouro. Mas exatamente este desenvolvimento fez aguçar uma grande contradição. A metrópole precisava do ouro matéria-prima e não do ouro produto acabado, manufaturado. A quantia de ouro a ser remetida á metrópole era previamente estipulada e a ourivesaria, nos meados do século XVIII, passava a ser considerada como elemento do descaminho do ouro. O fiscalismo impõe restrições ao desenvolvimento de tecnologia, como o foi à ourivesaria no Brasil, proibida em 30 de junho de 1766, através de Carta Régia. Esta resolução acabaria se estendendo á metalurgia.

Entretanto, e mesmo considerando a força da proibição, pequenas fundições foram implantadas em vários locais próximos ás áreas de mineração, requeridas pelo alto preço dos implementos de ferro importados. Ao final dos anos setecentos, numa conjuntura adversa para a exploração do ouro, os mineradores lançam apelos veementes ás autoridades no sentido de que os instrumentos metálicos imprescindíveis ás minas se tornem mais baratos e livres de impostos tão pesados. Através da Carta-Régia de 27 de maio de 1795, assinada pelo príncipe regente, era novamente permitida a instalação das fundições de ferro. E quando a família real chegou ao Brasil em 1808, já se encontrava em funcionamento um número bastante grande de pequenos fornos, inclusive o projeto de construção da fundição de Ipanema no Estado de São Paulo (concluída em 1817).  Neste período entra em funcionamento uma unidade de fundição relativamente grande para sua época, localizada no Morro do Pilar em Minas Gerais (1809), com os fornos de Intendente Câmara. Várias outras fábricas pequenas foram instaladas.

A insipiente indústria siderúrgica, porém não prosperou.  O alto-forno do Morro do Pilar, cujo capital foi provido por fundos governamentais, funcionou com dificuldades até seu fechamento definitivo em 1831. A dispersão do consumo com a decadência da mineração do ouro e a ampliação das áreas agrícolas, exigia uma completa organização comercial.  Por outro lado a fábrica de Ipanema fracassou devido a vários fatores, dentre eles o local inadequado (longe das reservas de minério), que tornava o produto caro em razão do custo do transporte, além da concorrência do produto importado que se beneficiava dos privilégios comerciais concedidos às empresas britânicas.

Ipanema foi várias vezes fechada e reaberta até que, em 1895, por ordem do Congresso brasileiro mais uma tentativa de uma grande indústria de ferro foi encerrada.

Dentro deste quadro apenas pequenas unidades de produção instaladas junto aos centros consumidores poderiam ser viáveis. A existência de grandes reservas florestais e o solo rico em minérios favoreceu os empreendimentos em Minas Gerais contra o fracasso em regra das usinas nacionais.  Formava-se assim uma siderurgia de dimensão regional cujo mercado era a demanda de equipamentos, ferramentas para a agricultura e materiais para a construção civil.

Em 1845 o presidente da província, Quintiliano José da Silva, destacava, entre todas, as de Jean Monlevade, no distrito de São Miguel de Piracicaba, e de Antonio José Lopes Camelo, no distrito de Camargos. A Usina Esperança de Itabirito se encontra dentro desta tradição.

No segundo período imperial dois fatores vieram a contribuir de forma favorável à produção de ferro: em primeiro lugar, a extensão da ferrovia D. Pedro II (Estrada de Ferro Central do Brasil) até a região produtora de ferro, que permitiu o transporte dos produtos chegar até o setor exportador da economia brasileira (café e cana), bem como a ampliação de produtos siderúrgicos gerados pela construção das ferrovias.  Em segundo lugar, a criação da Escola de Minas em Ouro Preto que permitiu enfrentar o problema central do setor siderúrgico: a formação de mão-de-obra especializada e a introdução de novas técnicas.

Embora uma instituição do governo do Império, a Escola de Minas teve a intimidade do governo provincial na sua gestão, buscando pesquisar extensas regiões e influir na administração pública em busca do sonho de se criar "um império siderúrgico". Este sonho, entretanto, ficou adormecido até que a explosão da 1a.  Guerra Mundial fez ecoar pelo planeta seus efeitos.  A impossibilidade de importação força o ritmo de substituição dos produtos importados.

 Do ouro ao ferro, Itabirito se formou dentro da lógica em que o modelo econômico é dado pela natureza; o homem ao transformá-la, transforma a si também. Assim, um novo município é formado em 1923, com o território desmembrado de Ouro Preto, recebendo o nome de Itabirito, denominação dada por von Eschewege a um minério de ferro típico da região.

  

BIBLIOGRAFIA

BAETA, Nilton. A indústria siderúrgica em Minas Gerais.
 Belo Horizonte: F.J.P. 1973.

FIORILLO, Miguel Ângelo. Fundamentos Históricos da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Belo Horizonte: editora O Lutador,1996.


IGLÉSIAS, Francisco.  Política econômica do governo provincial mineiro (1835-1889). 
 Belo Horizonte: tese de concurso para Docência Livre de História Econômica e Geral do
Brasil da FACE/UFMG, 1954.

MOURA, Antonio de Paiva. História da violência em Minas. 
Belo Horizonte: edição do Autor,1983.

SILVA, Olímpio Augusto da. Itabirito, Minha Terra. 
Itabirito: Editora Líttera Maciel, 1996.

o Horizonte: Itatiaia/USP, 1984.


Ruínas de antiga casa residencial junto a Igreja do senhor Bom Jesus do Matosinhos.

Primeira escola de Itabirito

Igreja Nossa Senhora do Rosário, construída no início do século XVIII, tem fachada simples, com destaque para a portada. No interior, o retábulo do altar-mor é em arcos, cortina e dossel, com ornamentação esculpida e dourada. Acima do dossel os anjos sustentam a coroa.

Interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem

Antiga Estação Ferroviária de Itabirito

Rio Itabira

Sacada de casa antiga

Cena mineira - os cavaleiros

Cena mineira - o burro e a escola

Cena mineira - o burro e a escola

A capelinha no alto da colina vista da usina siderúrgica.

Antigo alto-forno da Usina Esperança

Antigo alto-forno da Usina Esperança e uma menção de pionerismo cheia de paixão mas sem realismo. 

Boca do forno.

Acesso a Itabirito: Rodovia dos Inconfidentes
 

Teatro de Arena que compõe o conjunto arquitetônico do Projeto Itabirito 2.000.


Itabirito

Centro de Desenvolvimento Pessoal

A Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem de Itabirito constrói, sob a liderança do Padre Miguel Ângelo Fiorillo e a participação e apoio de toda a comunidade, uma notável obra de natureza social, religiosa e cultural, que deverá ter alcance em toda a região do quadrilátero ao seu redor. É o Projeto Itabirito 2000, conjunto de obras em que constam prédios para o funcionamento de convenções e encontros, auditório, 38 suítes, restaurante completo, áreas de lazer e um Anfiteatro em estilo greco-romano para 3.000 pessoas. A maior arte das obras físicas se encontram realizadas. Além disso, a comunidade e o seu pastor empreendem a restauração dos seus lindos monumentos religiosos, todos construídos nos anos setecentos. Para tanto, existe incentivo fiscal para quem quiser ajudar: através da Lei de Incentivo à Cultura do MEC. Contato: (31) 561 1979.


Vista do Teatro de Arena do Projeto Itabirito 2.000

Obras do Projeto Itabira 2.000

Estátua que decora o Teatro de Arena

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