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Astolfo Dutra
Astolfo Dutra
Compreender Minas é certamente buscar descrever-lhe a paisagem. As montanhas, a vegetação, os solos e os rios são também seus personagens históricos, até porque são mutáveis e nada existe permanente. Astolfo Dutra tem sua origem ligada ao rio Pomba que a margeia. Seu leito, suas águas, seu curso, seus peixes, e principalmente seus primeiros povoadores e descendentes, sua história, transformaram-se. O rio Pomba que banhava a cidade nos idos de 1808 é o mesmo e é o outro que se move hoje. Naquela época chamava-se Santo Antônio do Porto Alegre de Ubá, alusão ao pequeno porto construído para fazer circular a economia, e a pequena capela de Santo Antônio. Com a denominação Porto de Santo Antônio, foi distrito entre 1848 a 1850; suprimido por lei, ganhando a condição novamente cinco anos depois, e em 1864 torna-se freguesia. Em maio de 1885, passa a distrito, subordinado ao município de Rio Pomba. Três anos depois, por solicitação de 111 moradores, é transferido o distrito para Cataguases. A ligação ferroviária a esse município, através da Estrada de Ferro Leopoldina, cujos trilhos chegaram ao Porto de Santo Antônio em 1877, veio intensificar as relações desta cidade. A emancipação do município ocorre por conta de decreto lei 148, de 17 de dezembro de 1938, ocasião em que muda sua denominação para Astolfo Dutra.
A adoção do nome é uma homenagem ao político Astolfo Dutra Nicácio, nascido em 1864, na Fazenda da Aldeia - Sereno - distrito de Meia Pataca (futura Cataguases), então município de Leopoldina. Eleito vereador em 1894 exerceu a Presidência da Câmara Municipal e seu agente Executivo, com as funções do atual prefeito. Segue-se uma longa carreira na política que culminaria com sua eleição para Presidente da Câmara dos Deputados em 1914, durante a Presidência do Brasil de Wenceslau Brás, cargo para o qual seria reeleito em 1916 e por mais cinco vezes, período que marca a aprovação do Código Civil com efeitos até os dias atuais.
Os astolfo-dutrenses somam hoje 11.794 pessoas, sendo apenas doze por cento ocupando a área rural. Sua economia está apoiada na indústria de alimentos, vestuário e mineração. No campo, produz café, milho, feijão, arroz e cana, além de cultivo de fumo, tradição herdada dos colonos italianos. Destaca-se também a criação bovina e granja. Suas terras se caracterizam pela diversidade, além do acidentado de seu relevo que chega a ser vinte por cento plano e o restante entre topografia ondulada e montanhosa, sendo a serra do Grama seu ponto mais elevado: 1.300 metros de altitude.
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